Diagnóstico precoce do câncer de mama em mulheres jovens

Estudo americano vai avaliar se o uso do contraste pode melhorar a capacidade da mamografia de detectar o câncer de mama em mulheres jovens com nódulos mamários.

31 Mai, 2017

Coordenado pela Dra. Maxine Jochelson (foto), Diretora de Radiologia do Centro de Mama e Imagens do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Nova Iorque, Estados Unidos, o estudo “Uso de contraste de mamografia espectral reforçada (CESM) para mulheres com anormalidades mamárias palpáveis”, tem como objetivo avaliar se o método pode beneficiar as mulheres com alto risco de câncer de mama por causa de mutações genéticas ou histórico familiar, com o diagnóstico precoce.

A pesquisa que teve início em março de 2015 está com data estimada de conclusão para março de 2018, prazo final de coleta de dados para a medida de resultado primária. Cerca de 250 mulheres devem participar desse estudo.

O Contrast Enhanced Spectral Mammography (CESM) é uma forma avançada de mamografia que é realizada após a injeção de contraste em uma veia no braço. O contraste é o mesmo usado em tomografias. Este tipo de exame é feito com uma máquina de mamografia especial, na qual dois tipos de imagens são realmente gerados para cada exposição: um exame regular e outro das imagens adicionais com o contraste. Dessa forma, os médicos querem ver se a adição do corante aumenta a sua capacidade de identificar a causa da protuberância em comparação com mamografia convencional.

Este estudo, que atualmente está recrutando participantes, tem como critério de inclusão mulheres com idade acima de 25 anos, que se apresentam para avaliação mamográfica de uma massa palpável não diagnosticada, encontrada por auto-exame e/ou exame clínico. O processo consiste na colocação de um marcador na mama onde a mulher sente o nódulo, antes da mamografia regular, e então, receberá o contraste através de uma veia. A seguir, ela vai passar por quatro mamografias de rotina e um ultra-som, para avaliar o caroço, que é a abordagem padrão para qualquer mulher que tem um nódulo.

Uma das referências da especialidade, no Simpósio sobre Câncer de Mama, realizado em Goiania, pela Sociedade Brasileira de Mastologia, a pesquisadora apresentou alguns resultados preliminares do estudo, no mês de maio. Em sua exposição: Novidades no rastreamento de pacientes de alto risco para câncer mostrou que a mamografia anual em mulheres de risco médio, na faixa etária de 40 a 49 anos, reduz significativamente a morbidade; as classificadas com risco intermediário/mulheres com seios densos podem se beneficiar das imagens adicionais e devem ser submetidas a uma triagem anual; e as de alto risco, entre 40-49 anos, devem ter o benefício do rastreio, mamografia e ressonância magnética a cada seis meses.

Ao final, citou o trabalho de Oeffinger Et al, JAMA, 2015, destacando que "dado o peso da evidência de que o rastreio mamográfico está associado a uma redução de índices significativo no risco de morrer de câncer de mama após a idade de 40 anos, uma discussão mais produtiva seria focada em como o melhorar o desempenho da mamografia de rastreio".

Segundo a Dra. Maxine Jochelson, em um futuro próximo a ultrassonografia, a tomossíntese e a mamografia de contraste, vão detectar mais cânceres do que a mamografia isolada. Já a ressonância magnética, detectará 97% das neoplasias mamárias. Informa ainda que os ensaios prospectivos que comparam a eficácia destas técnicas já estão em andamento e, apesar da prova de vantagem clínica, levar mais tempo, os resultados são muito promissores.

A doença no Brasil e no mundo

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor mais frequente no mundo e no Brasil, sendo o mais comum entre as mulheres, excluindo-se o câncer de pele. É responsável por 28%, aproximadamente, dos casos novos a cada ano. A estimativa em 2016, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), foi de 57.960 mil casos novos de câncer de mama no Brasil, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres. Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. 

Nos Estados Unidos, é uma das principais causas de mortalidade prematura para as mulheres. Embora a mortalidade por câncer de mama tenha diminuído de forma constante desde 1990, em grande parte devido a melhorias na detecção precoce e tratamento, estima-se que por ano mais de 40.000 mulheres nos EUA morrerão de câncer de mama.

A American Cancer Society (ACS) não recomenda exame clínico de mama para rastreio de câncer de mama entre mulheres de risco médio em qualquer idade, e orienta que todas as mulheres devem ser informadas sobre os potenciais benefícios, limitações e danos associados com o rastreamento mamográfico. Porém, devem ser encorajadas a conhecer e a discutir sua história familiar e história clínica com um médico, que deve periodicamente verificar se o perfil de fator de risco mudou, e pode desenvolver um câncer de mama. Nesse caso, a ACS encoraja uma discussão sobre a triagem em torno da idade de 40 anos.

Essa discussão já chegou ao Brasil e o tema foi amplamente debatido no módulo de mama, durante a 47ª Jornada Paulista de Radiologia – JPR´2017, realizada no mês de maio, em São Paulo, com palestras sobre o rastreamento do câncer de mama e atualização das recomendações para detecção e prevenção da doença.

Programa pioneiro do Colégio Brasileiro de Radiologia reúne especialistas de referência, de diversas regiões do País que se debruçam sobre o assunto, e vem contribuindo ao longo de mais de 20 anos, para o fortalecimento da prevenção e a valorização do conceito de qualidade do diagnóstico.

 Embora, o câncer de mama não possa ser evitado, a detecção precoce e tratamento imediato, podem aumentar significativamente as chances de sobrevivência. Atualmente, mais de 90 por cento das mulheres diagnosticadas numa fase precoce, sobrevivem.

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