Nota do Ministério da Saúde com orientações para racionalização do uso de contraste iodado

O Ministério da Saúde emitiu nota com recomendações para a racionalização do uso de contraste iodado para exames e procedimentos médicos, até que ocorra a normalização do fornecimento do produto.

13 Jul, 2022

O Ministério da Saúde (MS) – por intermédio da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde - SAES e da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde – SCTIE; o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR); a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI); e a Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) orientam por meio desta Nota a racionalização do uso de contraste iodado para exames e procedimentos médicos, até que ocorra a normalização do fornecimento do produto. 

A escassez de meios de contraste é global e de grande preocupação. A interrupção nas cadeias de suprimento, produção e distribuição ocorre principalmente por consequência da pandemia da COVID-19, na China, uma vez que medidas de “lockdown” foram decretadas localmente, impactando na cadeia de produção das indústrias chinesas. Uma das principais empresas afetadas, o laboratório GE He althcare, informou, em nota, que a fábrica de Xangai havia sido afetada, mas que, desde o início do mês de junho, retomou em 100% a capacidade de produção. No entanto, devido à escassez no mercado internacional, ainda há a dificuldade no atendimento e normalização da relação entre oferta e demanda.

Dessa maneira, a fim de auxiliar e minimizar os danos relacionados à situação apresentada, faz -se necessário otimizar o uso dos meios de contraste, observando-se as seguintes recomendações gerais: ● Avaliação do estoque disponível de meio de contraste iodado; ● priorizar procedimentos em pacientes de maior risco e em condições clínicas de urgência e emergência; ● evitar qualquer desperdício; e ● considerar a utilização de métodos diagnósticos alternativos, quando possível.

Recomendações específicas: ● Avaliação pela instituição e pelo serviço de imagem do histórico de número de exames de tomografia computadorizada (TC) que utilizem meio de contraste iodado por mês, cuja indicação seja de emergência/urgência* – demanda mensal:  reservar a quantidade de meio de contraste iodado para indicações de emergência/urgência, a partir do cálculo histórico da demanda mensal;  o restante do meio de contraste iodado disponível na instituição/serviço deverá ser utilizado de acordo com a indicação médica; ● em indicações eletivas ou exames não urgentes, na dependência de meio de contraste disponível, sugere-se reduzir o volume de meio de contraste, desde que não comprometa a qualidade final e a acurácia do exame; ● sempre que possível, adaptar o volume do meio de contraste ao peso do paciente; ● utilizar sempre flush de soro fisiológico (cerca de 50 ml) logo após a administração de contraste iodado por via endovenosa, para evitar que pequenas quantidades de contraste fiquem acumuladas em veias do braço, melhorando a sua eficiência; ; ● Sempre que possível, desde que não comprometa a acurácia do exame, realizar a TC sem contraste** ou substituir por outros métodos propedêuticos com acurácia diagnóstica semelhante (ultrassonografia, ressonância magnética ou de medicina nuclear)***; ● não utilizar meio de contraste iodado por via oral, para TC, exceto se extremamente indicado, para casos selecionados; ● em casos de exames por hemodinâmica ou no bloco cirúrgico, realizar a abertura gradual dos frascos de meio de contraste; e ● não violar boas práticas assistenciais em casos de frascos abertos e meio de contraste iodado não utilizado. Sempre verificar com o fabricante questões relacionadas a armazenamento adequado, tempo de utilização desde a abertura do frasco e utilização de sistemas anti-refluxo.

* Indicações de TC com contraste iodado na urgência/emergência:

Emergência: Hemorragia ativa ● Dissecção vascular, aneurisma roto ou sob risco de ruptura ● Isquemia aguda (mesentérica, de membros, cerebral) ● Tromboembolismo pulmonar com instabilidade hemodinâmica ● Politrauma

Urgência:  ● Malformações arteriovenosas com manifestações clínicas de ICC ● Angiomiolipoma renal com risco de ruptura ● Procedimentos intervencionistas oncológicos ● Diagnóstico e estadiamento de câncer ● Obstrução da via biliar e da via urinária ● Tratamento endovascular de aneurisma cerebral

** Indicações selecionadas para realização de TC sem contraste: ● Dor no flanco de início agudo, suspeita de urolitíase. ● Dor abdominal aguda não localizada, sem outra especificação. ● Doença respiratória aguda em pacientes imunocompetentes, com radiografia de tórax negativa ou inconclusiva.

*** Métodos alternativos à TC contrastada em situações de escassez de meio de contraste iodado: 

Ressonância Magnética: Pode substituir grande parte dos exames neurológicos, abdominais e pélvicos.

Ultrassonografia: Avaliação das vias biliares e urinárias, parede abdominal, trombose venosa e embolia arterial.

Medicina Nuclear: Estadiamento de algumas neoplasias, sangramentointestinal e tromboembolismo pulmonar.

Sobre as recomendações para o uso racional em procedimentos intervencionistas: ● Priorizar pacientes de maior risco cardiovascular e casos de urgência e emergência; ● minimizar o uso de contraste sem comprometer a qualidade de exame; ● em casos de procedimentos terapêuticos que possam ser realizados utilizando-se a guia de um método adjunto, dar preferência àquele(s) que não utilize(m) contraste; ● abreviar e racionalizar protocolos técnicos para reduzir a quantidade de contraste utilizado; ● aumentar a diluição do contraste, quando possível; ● considerar a utilização de contraste com CO2, quando possível; e ● adequar a agenda de procedimentos eletivos de acordo com o estoque disponível e o histórico de utilização.

Em conclusão, considerando o grave risco de desabastecimento de meios de contraste imprescindíveis para a realização de exames e procedimentos no âmbito da saúde, solicitamos o apoio das mais diversas organizações desse setor, para que haja a sensibilização sobre a importância de se otimizar o uso desses insumos, considerando as recomendações aqui apresentadas, até que se normalize o fornecimento desses produtos.

Brasília-DF, 12 de julho de 2022

MAÍRA BATISTA BOTELHO, Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde (SAES/MS); SANDRA DE CASTRO BARROS, Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE/MS); VALDAIR FRANCISCO MUGLIA, Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR); JOÃO FERNANDO MONTEIRO FERREIRA, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); RICARDO ALVES DA COSTA, Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI); JOAQUIM MAURÍCIO DA MOTTA LEAL FILHO, Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE).

Fonte: https://cbr.org.br/confira-nota-do-ministerio-da-saude-com-orientacoes-para-racionalizacao-do-uso-de-contraste-iodado/

 

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