O que acontece quando médicos desconsideram resultados dos exames de radiologia?

Levantamento realizado nos EUA mostra que ignorar recomendações dos laudos radiológicos pode colocar os pacientes em risco

04 Jul, 2016


Pesquisa apresentada pela American Roentgen Ray Society (ARRS 2016), em Los Angeles (EUA) em junho, mostrou que os médicos que solicitam exames para o diagnóstico por imagem e que, no entanto, não observam as recomendações emitidas pelos radiologistas nos laudos destes exames, podem estar colocando em risco a saúde dos pacientes.

O estudo, realizado no Boston Medical Center, avaliou  recomendações de radiologistas emitidas durante um período e os resultados, que foram divulgados pelo portal especializado em radiologia AuntMinnie.com, dão conta de que a maioria (67%) das recomendações foram seguidas. Mas, entre as que não foram seguidas, 40% nunca foram reconhecidas, 35% foram reconhecidas, mas o paciente não continuou sendo acompanhado, 19% tornaram-se desnecessárias, e em 6% dos casos o médico tomou decisão contrária à recomendada pelo laudo do radiologista.

E mais: entre as recomendações não reconhecidas, 44% tinham um potencial significativo de danos à saúde do paciente, com 75% indicando um possível câncer (principalmente de pulmão) e 25% indicando descobertas que poderiam levar à morte do paciente.

O dr. Alexander Norbash, da Universidade da Califórnia, em San Diego, responsável pela pesquisa, informou que o objetivo foi entender como muitos resultados de radiologia não beneficiam os pacientes, e como muitas destas recomendações perdidas podem resultar em danos. “E nos perguntamos se nossos dados podem agora apoiar o investimento em ferramentas para resolver essas lacunas na comunicação entre os radiologistas, os médicos solicitantes dos exames e os pacientes”, comentou o dr. Norbash.


Detalhes negligenciados

Todo o processo que resultou na pesquisa da equipe do dr. Norbash começou em setembro de 2015, quando foi divulgado um relatório sobre os erros de diagnóstico na área da saúde, mencionando especificamente a questão dos diagnósticos de especialidades como a radiologia, que não estariam sendo incorporados pelos médicos responsáveis por acompanhar os pacientes.

Para investigar o problema no Boston Medical Center, a equipe realizou revisão retrospectiva de relatórios de radiologia a partir de janeiro de 2014. O levantamento incluiu 6.861 relatórios, com 982 recomendações. Ao todo, 13% dos relatórios tiveram pelo menos uma recomendação de acompanhamento, incluindo o seguinte: imagem adicional (63%), a correlação clínica (24%), os processos sem formação de imagem (7%), os estudos de laboratório (4%) e a consulta com um especialista (2%).

“Há um risco significativo para os pacientes de câncer ou outra doença relacionada com recomendações de radiologia. A principal preocupação é sobre as recomendações de radiologia que não são reconhecidas pelos clínicos”, apontou o médico.

 

Caminhos para solucionar o problema

Como conclusão final da pesquisa, a equipe do dr. Norbash sinalizou que investir em ferramentas de tecnologia da informação e em pessoal de radiologia dedicado à comunicação e ao acompanhamento das recomendações da especialidade são providências que poderiam ajudar a resolver tal problema. Mas o estudo destaca também que os administradores hospitalares podem estar relutantes em se comprometer com tais investimentos se os riscos de não seguir as recomendações dos radiologistas não estiverem claros.

“Nossos dados levaram a uma extensa avaliação de soluções de software no Boston Medical Center, que também pode ser aplicada a outras especialidades diagnósticas, como a medicina de laboratório. Esperamos que nossos resultados sirvam como referência para os centros de saúde que tenham esforços semelhantes”, concluiu Norbash. (fonte Aunt Minnie)

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