Outubro Rosa: Tempo para prevenção e reflexão

No mês dedicado a conscientização e prevenção do câncer de mama, uma reflexão importante: a qualidade dos exames de mamografia.

01 Out, 2018

Este é o mês da campanha mundial de conscientização contra o câncer de mama, conhecida como Outubro Rosa, que busca conscientizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, aumentando as chances de cura.

O movimento, que tem como símbolo um laço cor de rosa, conta com a participação de várias entidades e estimula a participação da população no controle do câncer de mama, no compartilhamento de informações sobre a doença e, também, visa proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

Para que haja maiores chances de cura, o tumor deve ser identificado precocemente. A mamografia, que utiliza a radiação para conseguir criar imagens de dentro da mama, podendo revelar a presença de tumores ainda muito pequenos, é imprescindível para a descoberta de um câncer que pode ser tratado rapidamente.. O exame realizado como método preventivo deve ser feito a cada dois anos por todas as mulheres entre 50 e 69 anos de idade.

A coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia/CBR, dra. Linei Urban, traz uma importante reflexão para o Outubro Rosa: a qualidade dos exames de mamografia, um dos vários fatores que contribuem para a redução da mortalidade pelo câncer de mama, que ainda é uma tarefa desafiadora. “Apenas com imagens de alta qualidade pode-se detectar tumores de mama iniciais. E para se obter um exame de mamografia com qualidade é imperativo o esforço cooperativo de vários setores dentro de uma clínica de imagem”, enfatiza a especialista.

Ainda segundo a médica, muitos países que possuem programas de rastreamento organizado demonstraram uma redução de 15 a 30% da mortalidade ao longo dos anos. Para que o câncer de mama seja detectado com precisão na primeira oportunidade possível, todos os fatores que influenciam a aquisição, exibição e interpretação da mamografia devem ser otimizados e essas condições ótimas devem ser mantidas ao longo do tempo. E isso significa controle de qualidade em mamografia.

O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) foi pioneiro na implementação de um Programa de Certificação de Qualidade em Mamografia, que iniciou em 1992. O programa avalia vários pontos, entre eles a formação da equipe médica, dose de radiação e phantom, assim como critérios de posicionamento, de qualidade clínica e física da imagem, além do laudo mamográfico. Para isso, os serviços se inscrevem de forma voluntária, sendo avaliados em duas fases.do câncer 

No Brasil a criação do Programa Nacional de Qualidade em Mamografia (PNQM) e da Portaria 2898, que atualizou as suas diretrizes do PNQM pelo Ministério da Saúde. Essas medidas foram um avanço para a categoria, pois tornou obrigatória a participação no PNQM, tanto para os serviços que atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para os privados.

De acordo com a dra. Linei, participar de um programa de controle de qualidade, permite assegurar que o exame de mamografia esteja adequadamente realizado para permitir um diagnóstico precoce. “Deveríamos fazer isso não apenas por nós, médicos, para sabermos que estamos fazendo o melhor na nossa prática diária. Mas principalmente por nossas pacientes, para que elas tenham a possibilidade de diagnósticos cada vez mais precoces, permitindo viver mais e com maior qualidade de vida, com suas mamas preservadas e reconstruídas”, aponta a coordenadora.

A campanha no Brasil

Atualmente, a mobilização para o Outubro Rosa reúne instituições públicas e privadas, sociedades, organizações filantrópicas e não governamentais, em prol da conscientização e prevenção ao câncer de mama e, também, de próstata e pele.

O câncer de pele não melanoma é o mais frequente do Brasil, correspondendo a 33% dos diagnósticos. A principal forma de prevenção são as medidas de fotoproteção diárias, principalmente para pessoas com pele mais clara e com exposição direta ao sol. A estimativa de novos casos para 2018 do Instituto Nacional do Câncer (INCA) é de mais de 165 mil, entre eles, 85 mil em homens e 80 mil em mulheres. Já o melanoma, que tem origem nas células produtoras da melanina, corresponde a 3% das neoplasias malignas do órgão. A sua projeção para este ano são mais de  mil novos diagnósticos, 2,9 mil em homens e 3,3 em mulheres.

Depois dele, o de mama é o mais comum entre as mulheres (28%). A projeção de novos diagnósticos para este ano, conforme o INCA, é de mais de 59 mil. O de próstata também é o mais decorrente em homens após o câncer de pele, e este ano deve ter mais de 68 mil novos casos.

Todos os tipos de câncer apresentam bom prognóstico quando detectados precocemente, por isso conhecer as formas de manifestação da doença, realizar exames regularmente, consultar especialistas e manter uma vida saudável são a melhor receita para preveni-los.

No Brasil, a primeira ação do Outubro Rosa que se tem conhecimento aconteceu em 2002, no parque Ibirapuera, em São Paulo: o Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista, mais conhecido como Obelisco do Ibirapuera, foi iluminado de rosa por um grupo de mulheres simpatizantes com a causa. A partir de 2008, as ações foram se tornando cada vez mais frequentes. Várias entidades relacionadas ao câncer de mama passaram a iluminar monumentos e prédios de rosa, deixando clara a mensagem: é preciso se prevenir.

Breve Histórico

Em 1982, inicia-se o instituto Susan G. Komen Breast Cancer Foundation, fundado por Nancy Brinker com o objetivo de promover estudos e disseminar informações sobre o câncer de mama. Em 1983, pretendendo dar mais visibilidade à importância do projeto e do tema e arrecadar fundos para pesquisas, o instituto promoveu a primeira “Caminhada pela Vida”, em Dallas. O evento contou com cerca de 800 participantes e marcou o início de uma ação que ganharia dimensões mundiais.

Em 1991, as famosas fitas rosas foram distribuídas a todos os participantes da Caminhada pela Vida, em Nova York, tornando o laço cor-de-rosa o símbolo oficial da campanha. Desde então, a instituição continua promovendo corridas anualmente em prol da luta contra o câncer de mama. Mas a história do laço rosa só veio em 1997: a fim de sensibilizar a população, as cidades eram enfeitadas com laços cor de rosa em locais públicos e durante eventos. (O jornal ID Interação Diagnóstica ed. Outubro/novembro dedicará especial atenção ao tema e terá artigo da dra. Linei Urban, sobre a “qualidade da imagem e a prevenção”.

Compartilhe


NOTÍCIAS RELACIONADAS