Pandemia transforma centro cirúrgico do HC em UTI e anestesista em intensivista

Para aumentar o número de leitos e estender atendimento de excelência, salas cirúrgicas e unidades de recuperação pós-anestésica foram adaptadas para funcionarem como UTI.

24 Jun, 2020

Na última semana, o Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) ultrapassou a marca de 1.800 recuperados, uma das maiores do País, entre os pacientes internados com covid-19. Para aumentar o número de leitos e estender esse atendimento de excelência a mais pessoas, uma das medidas foi a adaptação das salas cirúrgicas e unidades de recuperação pós-anestésica para funcionarem como UTI. Além disso, o hospital treinou seus anestesistas – que já têm experiência em entubação e cuidados críticos – para atuarem como intensivistas no tratamento de pacientes com o novo coronavírus.

Antes mesmo da explosão de casos no País, o hospital já havia se preparado, por meio do seu Comitê de Crise. “Ocorreu uma verdadeira operação de guerra para as transferências de pacientes e preparo para atendimento de pessoas infectadas pelo coronavírus”, conta Maria José Carmona, professora da FMUSP e diretora da Divisão de Anestesiologia do Instituto Central do HC. No momento, todo o Instituto Central, o maior do complexo do HC, está dedicado a receber pacientes com coronavírus.

Mas como garantir que o alto nível de atendimento seja mantido na UTI adaptada? Se resgatarmos a história da anestesia, veremos que as UTIs surgiram da anestesia, e não o contrário – elas nasceram dentro das unidades de recuperação pós-anestésica na década de 1950. “Os primeiros ventiladores de UTI foram, na verdade, os aparelhos que usamos durante a anestesia; e os primeiros intensivistas eram, de fato, os médicos anestesistas”, diz Maria José Carmona ao Jornal da USP. O tema também não é inédito na atualidade: já era comum haver escassez de leitos de UTI em muitos hospitais antes da pandemia, e os pacientes precisavam ficar aguardando uma vaga no centro cirúrgico – com o anestesista atuando como intensivista, muitas vezes durante dias. “Mas essa é uma experiência feita na pandemia que está dando certo e queremos compartilhar porque pode ser útil para outros hospitais”, diz, ressaltando ainda o trabalho do Comitê de Crise do Instituto Central.

Rafael Priante Kayano, supervisor do Serviço de Trauma e Emergências da Divisão de Anestesia do Instituto Central do HC conta que antes não acreditava que se chegaria a ponto de o centro cirúrgico ter que virar um centro de terapia intensiva, nem que seria preciso usar ventiladores de anestesia para ventilar os pacientes com a doença. “Talvez um excesso de otimismo meu, mas essa foi a realidade imposta”, diz Kayano. Entre os desafios enfrentados na conversão, enumera, estavam desde a adaptação da própria estrutura física (instalações elétricas, hidráulicas, de gases medicinais e ventilação, engenharia clínica, redes de TI); o trabalho com outros materiais e equipamentos (ventiladores e aparelhos de anestesia são diferentes, assim como as bombas de infusão de medicações); até os recursos humanos, incluindo ajuste das escalas de trabalho; e as condutas em rotinas em si, que na UTI têm uma abordagem mais multiprofissional, em comparação à especificidade da anestesiologia.

Fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/pandemia-transforma-centro-cirurgico-do-hc-em-uti-e-anestesista-em-intensivista/

Rádio USP
Ouça no link abaixo a entrevista da médica Eloísa Bonfá, diretora clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, ao Jornal da USP no ar na Rádio USP.

 

 
 
 
 
 

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