Pesquisadores usam ultrassom para alívio da dor

Essa nova maneira de aliviar a dor, de forma não invasiva e localizada no corpo humano, pode futuramente contribuir para o gerenciamento da dor e substituir o uso dos opiáceos aditivos e os anestésicos locais de curta duração.

11 Set, 2017

Publicado na revista Nature Biomedical Engineering, o estudo realizado por um grupo de pesquisadores do Boston Children's Hospital, apresentou uma maneira de usar o ultrassom para desencadear a liberação de um anestésico previamente injetado na região afetada, quando e onde o alívio da dor é mais necessário. A intensidade e o tempo de projeção do controle de ultrassom quando a anestesia é liberada, permite um gerenciamento bastante fácil e preciso dos sintomas da dor.

A dor localizada causada por doenças, lesões ou cirurgia pode ser difícil de controlar e leva muitas pessoas a usar opióides. Embora existam métodos eletrônicos e físicos que possam ajudar a gerenciar algumas dores, estes são parcialmente efetivos e geralmente só funcionam em alvos próximos à pele. 

De acordo com Daniel Kohane, MD, PhD, associado sênior em medicina de cuidados intensivos no Boston Children's e professor de anestesiologia da Harvard Medical School, o abuso de opiáceos é um problema crescente nos cuidados de saúde. "No futuro, este sistema poderia potencialmente combater isso, dando aos pacientes, acesso a drogas não-opioides e efetivas de bloqueio de nervos", diz o autor principal do estudo.

Segundo a pesquisa, o anestésico é encapsulado dentro de lipossomas, que são pequenos sacos feitos de lipídios derivados de membranas celulares. As paredes dos lipossomas também são semeadas com moléculas sono-sensibilizantes que produzem espécies reativas de oxigênio quando agitados por ondas de ultrassom. Depois que os lipossomas carregados com anestesia são injetados, eles permanecem colocados por alguns dias perto do ponto de entrega original e não interagem muito com os tecidos próximos, mas quando o ultrassom é introduzido, os lipossomas quebram e liberam a carga para alívio da dor.

"Um dos aspectos mais interessantes sobre este sistema é que o grau de bloqueio do nervo pode ser controlado apenas ajustando a duração e a intensidade do ultra-som", diz Alina Rwei, pesquisadora de pós-graduação no laboratório de Kohane, complementando que o ultrassom está comercialmente disponível e já é amplamente utilizado em várias configurações clínicas e terapêuticas, tornando-se uma tecnologia atraente para usar como um "gatilho" de drogas.

Para a equipe do Boston Children's Hospital, esses resultados são muito promissores, e o fato de o grau de bloqueio do nervo ser controlado pela duração e intensidade do ultra-som permite o gerenciamento da dor, de forma personalizada. Assim, os pacientes poderiam receber uma injeção no hospital e aliviar sua própria dor em casa, sempre que precisarem, usando um pequeno aparelho de ultrassom portátil. Isso poderia potencialmente ajudar a combater o vício dos opióides e reduzir a duração geral da hospitalização.

Além de Kohane e Rwei, os outros colaboradores são o co-primeiro autor Juan L. Paris e os co-autores Bruce Wang, Weiping Wang, Christopher D. Axon, Maria Vallet-Regi e Robert Langer.

 

Fonte: Boston Children´s Hospital/Imagem: Mary O'Reilly

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