RM pré-operatória da mama traz segurança ao tratamento do câncer

O exame pode ajudar a substituir um plano mais agressivo por um menos agressivo

06 Mar, 2017

A ressonância magnética pré-operatória em mulheres com câncer de mama recém-diagnosticado pode ajudar a adaptar o tratamento cirúrgico e não aumentar significativamente a taxa de mastectomia, de acordo com a pesquisa apresentada no Congresso Europeu de Radiologia, o ECR 2017.

As descobertas abordam a preocupação de que a RM pré-operatória da mama pode levar ao tratamento excessivo sob a forma de mastectomias desnecessárias, disse o dr. Francesco Sardanelli, da Universidade de Milão. Os resultados da Metanálise Prospectiva Internacional Multicêntrica de Dados Individuais da Mulher (MIPA) mostraram um aumento na taxa de mastectomia de apenas 1% quando os dados de mulheres que tinham RM pré-operatória foram comparados com dados daqueles que não fizeram o exame. "Os resultados deste estudo mostram que a RM oferece melhor avaliação tumoral e, portanto, a oportunidade de tratamento sob medida". disse o dr. Sardanelli.

A partir de julho de 2016, a MIPA avaliou 4.944 pacientes de 34 centros em 14 países. Destes, 2.425 tinham um relato de caso completo. Metade destes pacientes tinha realizado RM antes da cirurgia. A maioria dos doentes (70%) recebeu 0,1 mmol/kg de gadobutrol. Oitenta e quatro por cento também tinham difusão ponderada de imagem.

Entre as mulheres submetidas à RM antes da cirurgia, o exame foi encomendado por radiologista em 68% dos casos e por cirurgião em 40%. A taxa de mastectomia planejada após a mamografia e ultrassom foi de 15,4% para aquelas mulheres que não tinham RM antes da cirurgia e 20% para aqueles que fizeram o exame. As taxas de mastectomia foram de 16% no grupo não submetido à RM e 21% no grupo submetido, para um aumento da taxa de mastectomia após RM pré-operatória da mama de apenas 1%.

De 1.004 seios tratados de forma conservadora após a RM de mama, o plano cirúrgico permaneceu inalterado em 73%. Cirurgia mais extensa foi realizada em 13,7% e cirurgia menos extensa em 12,7%, declarou o dr. Sardanelli. Além disso, a taxa de reoperação para margens estreitas ou positivas foi muito menor quando as mulheres tiveram RM pré-operatória da mama, com 8,3%, contra 13,4% no grupo que não realizou o exame.

"Isso é medicina personalizada. A ressonância pré-operatória de mama ajuda a adaptar o tratamento, muitas vezes de um plano mais agressivo para um menos agressivo", defendeu o especialista. Esses achados sugerem que a RM não induz a mastectomia, mas atua como uma ferramenta para confirmar planos de tratamento de mastectomia.

"As mastectomias planejadas induzem a RM de mama, e não o contrário. Nós vemos isso na alta porcentagem de cirurgiões que requisitam o exame, eles estão mais confiantes em seu plano cirúrgico se um MR de mama tiver sido feito", explicou o dr. Sardanelli.

O MIPA é patrocinado pela Bayer HealthCare, apoiado pela European Society of Breast Imaging (EUSOBI) e realizado pelo Instituto Europeu de Investigação em Imagens Biomédicas e pela Rede Europeia de Avaliação de Imagens em Medicina (EIBIR / EuroAIM). Começou em 2012 e foi projetado para analisar dados de dois grupos de mulheres com câncer de mama recém-diagnosticado. Com informações de AuntMinnie.com

 

 

 

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