Injeções de botox guiadas por tomografia computadorizada são promissoras no alívio da dor pélvica

Técnica utiliza doses menores da toxina e é mais precisa na localização da região a ser tratada

20 Dez, 2016

Uma a cada seis mulheres nos Estados Unidos sofrem de dores pélvicas, responsáveis por 10% das visitas ao ginecologista e por gastos de US$ 28 bilhões em cuidados com saúde por ano no país, de acordo com dados divulgados durante a última edição da conferência RSNA 2016, da Sociedade Norte Americana de Radiologia.

O problema tem causas variadas e, nos Estados Unidos, uma a cada 50 mulheres são diagnosticadas com dor miofascial em seus músculos do assoalho pélvico. Nas situações de dor crônica, o quadro pode gerar dores ao urinar, retenção urinária e constipação.

Quarenta por cento das mulheres diagnosticadas com dor pélvica miofascial não respondem bem a tratamentos como fisioterapia, acupuntura e relaxantes musculares. Mas as injeções da toxina botulínica podem ajudar no alívio dos sintomas com a utilização da tomografia computadorizada.

Um grupo de pesquisadores do Johns Hopkins Hospital, em Baltimore, nos EUA, estudou os resultados da técnica em 57 mulheres com o problema e descobriu que as injeções guiadas por CT são 100% bem-sucedidas em alcançar os músculos, e com menos efeitos colaterais e menos complicações do que as injeções guiadas exclusivamente por meio de exames físicos, prática padrão quando administradas no consultório do ginecologista.

Anna Moreland, uma das integrantes do grupo de pesquisa, relatou durante conferência na RSNA 2016 que o procedimento minimiza as quantidades de botox necessárias e também minimiza os riscos de atingir áreas de forma não-intencional. A técnica reduz o risco de efeitos colateriais como a retenção urinária e a incontinência fecal, que ocorrem em até 10% dos casos de aplicção de botox sem uso da imagem.

As doses que usamos são entre metade e a sexta parte das doses usadas nos consultórios ginecológicos, mas os resultados são obtidos porque a aplicação é feita com precisão na região necessária”, revelou a dra. Anna Moreland.

A população pesquisada durante o estudo recebeu prescrição de injeções de botox por ginecologistas. Com idades entre 21 e 68 anos, 15% das pacientes já tinham usado as injeções sem auxílio da imagem. Com a aplicação da técnica com CT, nenhuma delas apresentou complicações e 73% relataram melhora nos sintomas.

Mais pesquisas são necessárias para comparações de custo e eficácia entre as duas técnicas de tratamento e suas configurações. Se por um lado o uso da tomografia computadorizada eleva o preço do tratamento, por outro os resultados dispensam gastos com outras técnicas. Com informações do Daily Bulletin, informativo da RSNA 2016.

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