A inteligência artificial pode diagnosticar o Mal de Alzheimer?

Pesquisas mostram resultados promissores para tratamento da doença

13 Set, 2016

A medicina tem boas notícias sobre a busca pela cura do Mal de Alzheimer. Um tratamento em fase de pesquisas e com expectativa de estar disponível em um período de cinco anos é uma vacina capaz de interromper o avanço da doença e reparar alguns danos já causados. A vacina, chamada Betabloc, ataca o acúmulo da proteína beta-amiloide, que forma uma placa de cera sobre as células do cérebro. Cientistas britânicos, americanos e canadenses realizam o estudo no Reino Unido.

A segunda novidade promissora é uma contribuição da radiologia. Pesquisadores holandeses utilizaram um software de inteligência artificial para analisar exames de ressonância magnética que mostram quadros prováveis de doença de Alzheimer e fizeram descobertas importantes sobre o desempenho do software no diagnóstico, de acordo com um estudo publicado na revista Radiology e divulgado pelo portal auntminnie.com.

O estudo é ainda mais relevante porque, hoje, não há a medicina não tem recursos para identificar as pessoas com demência precoce, ou para dizer que os indivíduos com comprometimento cognitivo leve possam evoluir para o Mal de Alzheimer. A doença é conhecida por ser um processo gradual durante o qual o cérebro sofre grandes alterações funcionais antes das alterações estruturais, a exemplo da atrofia do hipocampo, que pode ser detectada em exames de imagem.

O estudo publicado na Radiology foi liderado pelo dr. Alle Meije Wink, da Universidade VU Medical Center, em Amsterdam. A inteligência artificial analisou exames de ressonância magnética que retratam o fluxo sanguíneo em várias regiões do cérebro. A máquina foi treinada para reconhecer padrões e distinguir pacientes com diferentes níveis de comprometimento cognitivo, além de prever o estágio dos casos da doença de Alzheimer que ainda não foram diagnosticados.

Um grupo de 260 pacientes foi avaliado e submetido a exames de ASL-MRI com um scanner de 3 tesla entre outubro de 2010 e novembro de 2012. O grupo incluiu 100 pacientes com provável doença de Alzheimer, 60 com comprometimento cognitivo leve (MCI) e 100 pacientes com declínio cognitivo subjetivo (SCD).

Os pesquisadores analisaram as imagens usando uma plataforma de software de acesso aberto, que permite a análise multivariada de dados de neuroimagem com base na aprendizagem de máquina.

A aplicação foi capaz de diferenciar indivíduos com doença de Alzheimer, MCI, e SCD. Foi também capaz de prever o prognóstico de pacientes, com precisão variando de 82% a 90%.

A pesquisa teve duas principais conclusões, que os exames de ASL-MRI são uma alternativa promissora para o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer, e que os métodos de inteligência artificial podem ser usados como uma possível ferramenta de triagem, identificando as alterações cerebrais que ocorrem no início do processo da doença. (Com informações de AuntMinnie)

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