Brasil comemora 50 anos do 1º transplante de coração

No dia 26 de maio de 1968, o Hospital das Clínicas da FMUSP realizava o primeiro transplante cardíaco do Brasil.

24 Mai, 2018

No dia 26 de maio de 1968, o Hospital das Clínicas da FMUSP realizava o primeiro transplante cardíaco do Brasil. O feito histórico das equipes dos Professores Euryclides de Jesus Zerbini, na cirurgia cardiotorácica, e Luiz Venere Décourt, na Clínica, colocou o país entre os pioneiros no mundo em transplante de coração, com os primeiros batimentos do coração transplantado de João Boiadeiro (João Ferreira da Cunha).

Para comemorar os 50 anos do 1º transplante cardíaco, o InCor fará nesta sexta-feira (25) evento com as presenças de autoridades e de alguns dos médicos que viveram essa história em 1968, cuja linhagem de inovações levou o Instituto do Coração a romper a barreira dos 1.000 transplantados cardíacos em 2016, e a ser o 7º centro que mais transplanta coração de adultos no mundo, desde 2014.

Evolução do tratamento

Desde o primeiro transplante da equipe de Euryclides de Jesus Zerbini, no prédio que viria a ser o Instituto do Coração – InCor, inaugurado em 1977, que dava início a uma nova etapa na cardiologia brasileira e latino-americana, o procedimento evoluiu.

Na época, uma das principais dificuldades era manter o paciente vivo devido à rejeição ao órgão. Na década de 80, a ciclosporina, droga imunossupressora, foi aprovada e ocorreu uma forte alta no tempo de sobrevivência dos transplantados.

Segundo o dr. Fábio Jatene a evolução das drogas pós-cirurgia não parou, e novos remédios que provocam menos infecções e controlam melhor a rejeição do coração, foram incorporados. "É um processo contínuo. Hoje a gente já usa várias drogas mais eficientes que a ciclosporina. O problema é que essas drogas, como todas as novas, são mais caras. Ficamos o tempo inteiro tentando fazer que isso se inviabilize", explica.

Os avanços no transplante cardíaco nessas cinco décadas são consideráveis, diz o Dr. Roberto KalilFilho, presidente do InCor, e o futuro aponta para possibilidades ainda mais surpreendentes, como as pesquisas com xenotransplantes, utilizando órgãos de porcos geneticamente modificados. “Nesse meio tempo também surgiram medicamentos contra a rejeição mais eficazes e com menos efeitos colaterais, além de máquinas de suporte ao coração mais eficientes,  tendo à frente os modernos ventrículos artificiais portáteis, aparelhos que prologam por mais de cinco anos a vida de pacientes que esperam por um órgão ou que não podem se submeter ao transplante”.

Gestão da logística de captação

Em 2013, com a criação do Núcleo de Transplantes do InCor, a gestão do sistema de transplante cardíaco no País foi reestruturada com equipes de médicos, cirurgiões e enfermeiros dedicados exclusivamente ao transplante de coração e de pulmão, setes dias por semana, 24 horas por dia.

De acordo com o Dr. Fábio Jatene, diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular, foi a potencialização da logística de captação, tanto de coração quanto de pulmão, que permitiu ao Instituto ampliar seu raio de busca de órgãos até outros estados. Esse movimento culminou, em outubro de 2017, na captação de um coração na fronteira sul do País, mais precisamente em Uruguaiana, próximo à Argentina e Uruguai. “Essa talvez tenha sido a captação de coração de mais longa distância feita no Brasil”, diz o Dr. Jatene.

Inovação na captação

Um detalhe importante é que a janela de captação do coração (momento entre a retirada do órgão do doador e seu implante no receptor) não deve ultrapassar de quatro horas.  Para que tudo isso dê certo, a logística inclui uma operação de transporte complexa, incluindo o uso de ambulâncias, voos fretados e helicópteros.

O InCor implementa hoje mais uma inovação, em caráter inédito no País, que aumentará  a  versatilidade  da  captação.  Trata-se de uma maleta térmica especial, já usada na Europa, capaz de manter a temperatura do coração doado em condições ideais para a conservação do órgão para transplante (8°C a 10°C), sem a utilização de gelo.

Todos esses avanços são uma boa notícia para as centenas de brasileiros que aguardam um novo coração para viver e, especialmente, para as 62 pessoas que estão na fila de espera do InCor -10% delas em alta  prioridade,  dependentes  de  medicamentos  e   aparelhos  hospitalares  para  se manterem vivas.

Fonte: AI/InCor HCFMUSP

 
 

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