Saúde de SP investe em PPPs para exames de diagnóstico por imagem

Durante a cerimônia de abertura do 2º Congresso Internacional de Gestão em Saúde, promovido pela ABRAMED, David Uip, abordou a questão do alto custo de manutenção dos hospitais, das parcerias público-privadas para a central de exames diagnósticos e da judicialização da saúde.

28 Ago, 2017

O Secretário de Saúde de São Paulo participou do congresso da ABRAMED – Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica, realizado em 25/08, no Hotel Renaissance, em São Paulo, que contou com a participação de mais de 300 lideranças da saúde no Brasil que discutiram temas relevantes da área como sustentabilidade na prescrição e utilização de exames diagnósticos; incorporação tecnológica e compliance.

Em sua conferência, Davi Uip, falou sobre o impacto da crise econômica vivida pelo Brasil na área da saúde e abordou a questão do alto custo de manutenção dos hospitais, das parcerias público-privadas para a central de exames diagnósticos, que é uma novidade, e da judicialização da saúde. “A saúde no Brasil atua com base em um modelo hospitalocêntrico, ou seja, não existe um programa estruturado de prevenção, trata-se a doença, que tem um custo muito mais alto. Para o governo, é economicamente inviável seguir este modelo, sendo que 80% dos municípios do Estado têm menos de 30 mil habitantes e o custeio de um hospital é extremamente alto”, afirmou.

Mas, o destaque da sua fala, foi sobre a adoção das PPPs (Parcerias Público-Privada) para a implantação da central de exames diagnósticos - primeira na rede pública, que pretende centralizar um serviço que hoje é prestado de forma pulverizada. “Essa iniciativa, que já conta com dez candidatos, vai trazer melhorias na qualidade do serviço prestado e ainda vai baratear o nosso custo”, revelou.

Segundo o secretário, estima-se que a concessão administrativa e unificada de três serviços de diagnóstico por imagem que abrangem 48 unidades de saúde no Estado, proporcione no decorrer de duas décadas, o investimento de R$ 356 milhões, que incluirá uma ampla reforma e modernização dos serviços, contando com a substituição de equipamentos, adequação e atualização de infraestrutura e tecnologia da informação, e uma economia expressiva nos gastos públicos de 10% do valor repassado anualmente para os SEDIs, ou seja, R$ 456 milhões para aporte em novos investimentos das áreas estratégicas e assistenciais da rede pública estadual.

Os SEDIs (Serviço Estadual de Diagnóstico por Imagem), é um serviço da Secretaria que emite laudos à distância e em tempo real para exames de imagem como raio-x, mamografias e ressonâncias, por exemplo, através do qual, o hospital de origem do exame envia a imagem à central de laudos do SEDI e, em até dez minutos após a captação, a central analisa e devolve o laudo ao serviço em até quatro horas.

De acordo com o Uip os hospitais do interior trabalham com cerca de 50% de sua capacidade, diante disso, existe uma dívida enorme das Santas Casas, o que faz repensar a estrutura para atender esses municípios sem precisar de novos investimentos. O Secretário apontou ainda a importância de reverter este modelo e investir na prevenção, pois “o diagnóstico precoce, quando bem utilizado, pode trazer mais equilíbrio na gestão da saúde. Atualmente, nosso orçamento é de R$ 22 bilhões e, apesar de ser maior do que o orçamento de algumas cidades, ele é insuficiente para atender a nossa demanda, por isso, investir na prevenção pode ajudar na redução de custos”, explicou.

Outro assunto abordado foi a Judicialização da Saúde, que pode trazer grandes prejuízos para o Estado, e que São Paulo já atingiu uma cifra semelhante ao nível Federal por conta das fraudes. “Não podemos generalizar. É claro que existem alguns casos em que a judicialização é pertinente, porém, já existem modelos estabelecidos que buscam onerar o Estado, nos obrigando a pagar por coisas que não tem o menor sentido. Recebo muitas intimações que, se não atender em 24 horas, sou ameaçado de prisão. Se não conseguirmos chegar em uma política de ajustes que perceba as dificuldades de cada setor e as mudanças que vem ocorrendo, não conseguiremos caminhar e desenvolver a saúde no Brasil”, finalizou seu discurso.

A presidente da ABRAMED, dra. Claudia Cohn, também enfatizou em seu discurso de abertura, a importância do diálogo entre os setores da saúde publica e da saúde suplementar e a relevância de um evento como esse para a área da saúde. Segundo Cohn é sempre um grande desafio reunir e conciliar a agenda de todos estes profissionais que atuam de forma ativa e decisiva no setor para a busca de melhores soluções dos problemas, seja os regulatórios, tributários, de modelos não sustentáveis. “Nosso objetivo é unir as principais lideranças tomadoras de decisão para proporcionar reflexão sobre os desafios da medicina diagnóstica e estimular o desenvolvimento de ações que possam beneficiar todo o setor”, destacou.

Em seguida  o prof. Giovanni Cerri, da FMUSP e vice presidente do Instituto de Coalizão da Saúde - ICOS,  chamou a atenção para a importância do diagnóstico por imagem dentro da estrutura de saúde, e dos modelos de Parceria Público Privada que tem trazido muitos benefícios para o setor.

O congresso da ABRAMED é uma iniciativa inédita e tem como objetivo ser uma referência na discussão de temas de extrema relevância para o desenvolvimento sustentável do setor. Nessa segunda edição, além da reunião de lideranças, com palestras e mesas de discussões, contou com a participação dos comentaristas Carlos Alberto Sardenberg e Merval Pereira, que traçaram um panorama sobre o Cenário Político e Econômico para 2018, e o Dr. Conrado Cavalcanti, coordenador do PADI – Programa de Acreditação em Diagnóstico por Imagem, do Colégio Brasileiro de Radiologia, na programação de encerramento.

Fonte/Fotos: ABRAMED/SSP

 

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