Prêmio Nobel de Química faz palestras no Brasil

O ganhador do prêmio Nobel está no Brasil para cumprir um circuito de palestras em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília

14 Ago, 2017

O primeiro encontro com o médico e bioquímico israelense, Aaron Ciechanover, Nobel de Química de 2004, aconteceu, no dia 9 de agosto, no auditório do Instituto de Radiologia do HCFMUSP (InRad), onde falou para uma plateia de 300 pesquisadores sobre a sua descoberta - um sistema que tem como uma de suas maiores funções o descarte de dejetos de proteínas do corpo -, e seu impacto na medicina personalizada relacionada ao câncer.

Na apresentação, o reitor Marco Antonio Zago afirmou que a palestra é uma inspiração para todos os pesquisadores, principalmente, para os jovens. O pró-reitor de Pesquisa, José Eduardo Krieger também enfatizou na sua fala que “a interação direta com grandes expressões da pesquisa internacional faz parte da formação de jovens pesquisadores e estimula o ambiente universitário e as grandes conquistas”. 

O cientista que está no Brasil para ministrar uma série de palestras em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a convite da farmacêutica AstraZeneca, em parceria com o Nobel Media traz, que pela terceira vez ao Brasil, traz um ganhador do prêmio Nobel como parte do Nobel Prize Inspiration Initiative – um programa global que leva premiados pelo Nobel para universidades e centros de pesquisas a fim de inspirar e envolver jovens cientistas, a comunidade científica e o público , reforçando o comprometimento da empresa com suas prioridades estratégicas voltadas à inovação e liderança científica. 

O Dr. Aaron, juntamente com o Dr. Avram Hershko, em colaboração com Dr. Irwin A. Rose, do Centro de Câncer Fox Chase, na Filadélfia (EUA), descobriu o sistema chamado de ubiquitina, identifica proteínas inúteis e modificadas, ou seja, são proteínas prejudiciais que devem ser, de maneira seletiva, removidas do corpo, mantendo todos os componentes saudáveis que continuam exercendo suas funções vitais. Esta descoberta está diretamente relacionada ao câncer, pois este é causado por proteínas modificadas, que se acumulam de forma anormal” diz Aaron. 

Em continuação aos estudos os pesquisadores fizeram descobertas adicionais referente ao sistema que se tornou uma plataforma importante para o desenvolvimento de medicamentos. Ciechanover explicou durante sua palestra como uma descoberta pode gerar conhecimento, ser o ponto de partida para outras pesquisas e levar ao desenvolvimento de novas drogas que beneficiarão inúmeras pessoas.“A medicina do futuro será personalizada para focar na causa da doença e não nos sintomas, o paciente será protagonista do tratamento e o mapeamento genético ficará mais comum. Além disso, o procedimento mudará a vida de milhões de pessoas ao detectar a doença antes de sua manifestação. Essa será a maior revolução da medicina de todos os tempos”, explica o cientista. 

Essa é uma mudança que o pesquisador acredita que vai atingir a indústria farmacêutica, que deve oferecer resistência, já que o desenvolvimento das drogas será mais complicado porque levará em conta o DNA da pessoa e, devem reduzir o risco de efeitos colaterais, que matam milhões de pessoas. Atualmente, entre 15% e 20% dos pacientes morrem em hospitais dos EUA por causa das reações dos medicamentos. “No futuro, poderemos fazer drogas personalizadas que garantirão mais benefícios”, afirma Aaron. 

Para Fraser Hall, presidente da AstraZeneca Brasil, apoiar essa ação da Nobel Media, cuja missão é difundir o conhecimento sobre as realizações dos Prêmios Nobel concedidos, e estimular o interesse pela ciência, literatura e paz, em linha com a visão e o legado de Alfred Nobel, é uma visão de futuro. “Nossa missão é desenvolver medicamentos que realmente façam a diferença na vida dos pacientes, e proporcionar o encontro de cientistas e pesquisadores faz parte dos nossos objetivos. Esperamos com isso engajar os jovens que optaram pelo caminho de construir os próximos passos da medicina e da ciência, bem como os jovens a dedicarem tempo na construção e conhecimento em prol de novas descobertas”, diz Fraser. 

 

Foto: Marcos Santos/UspImagens

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